04/03 - Kart: Carta aberta aos pilotos de kart do Rio de Janeiro

Estamos iniciando novo calendário desportista de 2010, onde a atenção volta-se
para o kartismo no Rio de Janeiro e o que irá acontecer por aqui.
O Estado de São Paulo já deu início com a III Copa São Paulo Light de Kart – RBC e foi uma grande festa.
Sendo o Rio de Janeiro, meus pais e eu estivemos por lá e pudemos participar e presenciar o evento de perto. A realidade é que a festa que acontece é fruto de uma união visível que há entre os pilotos, preparadores e organizadores do evento. Não sendo isto o bastante, nos do Rio de Janeiro, temos uma participação significativa no êxito desta festa. Os pilotos cariocas comparecem em número expressivo, basta visualizar as relações de participantes recebidas na secretaria de prova daquele kartódromo. Esses mesmos pilotos que viajam 800 km (ida e volta) em busca da adrenalina e emoção, que o kartismo proporciona, deixam de prestigiar e bancar sua própria festa. De alguns ouvimos dizer: “... É em SP que está a nata do kartismo!” o que nos fez entrar num processo de questionamento, do que estamos fazendo pelo kartismo no Rio de Janeiro. A reflexão foi rápida e a dedução triste: Se temos pilotos que pensam desta forma, que se sentem menores, pequenos e acham que é natural saírem de seu Estado para buscarem o que poderiam ter aqui, então o kartismo carioca está indo de mal a pior. Há ainda os que se deixam levar pelo senso comum (esse processo terrível que anula e aniquila o direito de pensar, de se ter as próprias idéias sobre determinado assunto) e não se dão ao trabalho de pensar, por comodidade ou falta de condições para isso. O certo é que tudo vai caminhando para a mesma direção.
Não cabem aqui comparações dos campeonatos de lá com o de cá. Ocorre uma grande e profunda diferença. Isto é fato. Não quero aqui retirar o mérito conseguido por aqueles que trabalham em busca de um kartismo forte e presente. Tiro o chapéu para eles e parabenizo-os pelo sucesso. Estivemos lá e participamos e não cabe aqui negar o direito de participação.
O que angustia e não nos deixa calar é a anulação dos valores, a falta de luta, de perseverança que vem dos pilotos federados, que estão se deixando levar pelo “falso glamour” de que tudo só pode acontecer no território visinho.
Se lá existe a FAESP, aqui há a FAERJ. Se as ditas Federações não funcionam, efetivamente, que se busquem soluções. O que não pode acontecer é essa inércia que se abateu, de uns tempos para cá, em nossos pilotos.
Haverá quem acrescente que não temos estrutura para grandes campeonatos, o que inviabiliza um evento de porte grande, como uma Copa. As limitações são visíveis e existem, não negamos isso. Mas acreditamos que, se não estivermos juntos, fazendo a parte que nos cabe, que é ir para as pistas e correr, nunca teremos as condições propícias para a manutenção de uma grande festa no Rio de Janeiro.
Estamos hoje vivendo a realidade da preparação para uma Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016. O Rio de Janeiro é palco de todos os esportes, por que não do kartismo?
Estamos negando o direito de termos aqui a chance de juntos, com a mesma união que há em outros Estados, fazermos uma grande diferença. Se reunirmos todos os pilotos que estavam presentes em São Paulo, mais os que aqui ficaram (por motivos pessoais, financeiros, etc.) já teremos um “grid” de grande representação e, a reboque do evento condições de melhorias estruturais.
Uma ação levará, automaticamente a uma reação. È física pura. Não adianta querer que aconteça alguma mudança se não ftzermos nada para que ela ocorra.
Atualmente, temos aqui no Rio de Janeiro a pista reconhecida pela FAERJ, que é a do Kartódromo de Guapimirim. Apesar de ficar na região Serrana ela é o referencial que existe. Façamos uso do que temos, motivando a melhoria do que já existe. Lá temos pessoas que representam o verdadeiro amor pelo Kartismo
A poucos meses ganhamos uma pista em Volta Redonda, mas ela fica fora da praça do Rio de Janeiro, 270 km ( ida e volta ).
È preciso reconhecer que só com a presença de nós pilotos é que conseguiremos mudar o panorama atual do Kartismo no Rio de Janeiro.
Não acreditamos que a situação seja confortável, na atual conjuntura, para aqueles que amam esse esporte. Não é admissível que não ocorra uma” pontinha de vergonha” pela falta de discernimento e inteligência.
Virar o jogo nem sempre é tão difícil como parece. Se tivermos disposição haverá campeonatos aqui, em que os Estados visinhos estarão presentes. È só mostrarmos trabalho, disposição, garra e vontade de não sermos os “piores”. Quem diz isso já é perdedor e sabe que o é. Não se acha nata, mas lodo. È lamentável!
Vamos valorizar nosso Estado e nos valorizarmos. Todos podemos ter esta força, juntos.
Enfim, convidamos os pilotos que possuem ainda algum nexo de reflexão a buscar conquistas neste sentido.
Façamos a diferença, por que quem faz e é a festa somos nós, PILOTOS!
Um grande Abraço
JOAO NETO
PILOTO FEDERADO JR MENOR